No mundo há muitas certezas
e a maior das certezas é
a dúvida
Bertolt Brecht
O mundo pulsa a destruição da civilização, aos poucos os seres evoluídos voltam aos primórdios de seus ancestrais. A luta agora é para sobreviver ao caos, conflitos que o tempo não poderia acompanhar. São homens exorcizando o conhecimento e fortalecendo sua ignorância.
A visão Epicurista deste mundo que, em meio a uma civilização mutante, verifica que um mal assola todos; propõe uma reflexão de valores sociais. A sabedoria é o principal remédio para a cura dessa doença pertinente aos seres racionais.
(...) Hoje, a maioria dos homens está doente, como que de uma epidemia, em função das falsas crenças a respeito de mundo, e o mal se agrava porque, por imitação, transmitem o mal uns dos outros, como carneiros. Além disso, é justo levar socorro que nos sucederão. Eles também são nossos, embora ainda não tenham nascidos. O amor aos homens nos leva a ajudar os estrangeiros que venham a passar por aqui. Como a boa mensagem do livro já foi difundida, resolvi utilizar esta muralha para expor em público o remédio da humanidade.
A forma de abordagem do roteirsta em enfatizar o cenário primitivo com idéias próximoas as sociedade pós-modernas, faz da leitura uma viagem cômica. Epicurio trouxe em suas pensamentos a fantasia que se cria em volta da felicidade como uma parte materializada das pessoas. No "Domínio dos deuses", não é diferente, as personagens fazem analogias ao incomodo epicurista com as aparencias, principalmente no âmbito social. A luxuria do condomínio dos deuses, na verdade acaba sendo o bem comum para os romanos, mas que também não esconde o descontentamento das pessoas que se recusam, por medo ou desinteresse, de fazerem parte deste mundo de superficialidade.
Epicurio notando semellanças entre as comunidades, propõe primeiro pharmakón, ou seja o remédio do conhecimento. Mas é com a profunda observação, ele chega no tretrapharmakón, onde reunira elementos para ajudar a civilização de se curar dessas crendices impostas pela relação - senhor e obediência – remédio para criar sábios livres das ilusões, fazendo do homem um ser com vocações para o prazer e alegria, deixando de ser manipulado como objeto; este vazio faz com que não cuidemos da alma.
“Não há o que temer quanto aos deuses.
Não há nada a temer quantoà morte.
Pode-se alcançar a felicidade.
Pode-se suportar a dor.”
Neste clima, é possível entender a alienação que o homem tem na relação de sua vida X alma, como se fosse anestesiado pelo costume do sofrimento. Outra situação é a ligação forte entre discípulo e mestre, no nível intelecto da troca de informações e ensinamentos, e de forma inconsciente a imitação é inevitável.
“ _ O que é que nós vamos fazer druida?
_ Vocês vão colocar uma destas bolotas em cada um desses buracos... São simples sementes que eu trarei com uma das minhas porçõezinhas.
_ Assim está bom?
_ Você poderia ter feito o negócio de maneira mais austera, mas é isso aí mesmo.
_ Prodigioso!
_Porquê? É um carvalho como os outros.
_ Mas você viu com que rapidez ele cresceu?
_ Bem. É a primeira vez que vejo um carvalho crescer, de modo que eu não sei com que rapidez eles crescem normalmente.”
No tópico “O Cisne e a Andorinha”, enfatiza o estreitamento das relações entre mestre e discípulos, sendo que agora a união perpertua em causas comum, não apenas admirição; a sabedoria descreve uma linha de conhecimento capaz de fornecer aos seus seguidores respostas. Como vimos acima, a sabedoria e as duas interpretações, Epicuriu deixa claro as diferenças, pois a alma é parte culminante para o desenvolvimento filosófico, quanto Obelix a matéria é impressionante, Asterix absorve a essência do seu mestre.
A obssessão pelo domínio faz do sucesso uma busca exaustiva, e orgulho ferido não nota o raciocínio lógico. Um homem cego é sempre mais vulnerável ao conformismo ou rebeldia, ou seja, não detem o conhecimento. A sabedoria que liberta, abre a janela de valores, diferente da falsa satisfação imposta pelo estado.